Seguia pela calçada, em silêncio, a rua cheia de carros em movimento. Uma árvore no caminho, o desvio sutil e uma parada necessária. Os lábios teriam que tocar as folhas penduradas, marcar o trajeto, estava dito. Fez-se assim.

Horas depois, muito longe, o mesmo vulto apressado a avançar em linha reta, para lugar qualquer, ou nenhum. E o vento frio que lhe beijava a cara, e um corpo abandonado no chão, aquecido pela baforada do cachorro vigilante, e os operários da construção civil, e os serviços de entrega, e o barulho cotidiano e infernal.

O homem e seus passos, o homem e o beijo na folha da árvore, o homem e seu futuro, que não existe, o homem e seu destino, que é procura sem fim. O homem só.

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Mário Montanha Teixeira Filho é consultor jurídico aposentado.