
Ivone Gradowski (acrílico sobre tela)
O percurso de formação artística de Ivone Gradowski é tradicional. Ela desenvolveu sua linguagem expressiva através de aulas de desenho de observação e de pintura. Mais tarde, realiza sua formação artística como ilustradora botânica, prática que lhe exigiu rigor de fidelidade de representação aos temas observados. Ivone trabalhou um longo tempo registrando com exatidão as formações naturais extraordinárias que definem a essência das plantas e dos bichos observados.
Nessa prática, buscou amadurecer uma identidade artística, um “som puro”, ou um sistema melódico de “sons puros”, dando a conhecer ao intelecto aspectos essenciais das coisas observadas, excluindo, daquelas anotações, daqueles desenhos e de plantas e flores, a desordem do conjunto das coisas sensíveis onde elas estão inseridas.
Depois, o espírito inquieto de Ivone Gradowski fez com que procurasse desenvolver uma pesquisa visual marcada por sua subjetividade e identidade artística, em diálogo com questões da arte contemporânea.
Nessas novas pinturas, realizadas em grande parte sobre papel, inverteu seu processo criativo. Passou a dar atenção à maneira como as imagens são construídas. Assim, as manchas, as pinceladas e as cores ganharam um protagonismo, uma autonomia, um papel expressivo na cena de representação.
É como se a artista dilatasse o tempo acumulado na construção das imagens, na sobreposição das camadas que fazem as pinturas, que formam as imagens, que nos fazem compreender o assunto do trabalho.
A encenação dos gestos pictóricos, das manchas e de desenhos apagados, rasurados, oferece ao observador de seus trabalhos a oportunidade de entrar no espaço da pintura, da encenação da representação.
Nas suas pinturas, nos seus desenhos e colagens atuais, seu olhar está liberto dos compromissos das ilustrações botânicas. O acontecimento, agora, é a própria pintura, emancipada das missões de representação do real.
Sérgio Fingermann é pintor, gravador e arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo das Universidade de São Paulo (USP).

Ivone Gradowski
A artista
Ivone Braga Gradowski nasceu em Curitiba. O pai, Eugênio, era advogado. A mãe, Lady, era professora. Como a maioria das mulheres dos anos cinquenta, cuidava das filhas, da casa e tinha grande habilidade manual. Costurava, bordava e pintava. Era amante das artes. Por iniciativa da mãe, Ivone frequentou, nos períodos livres, a escola de artes do Colégio Estadual do Paraná, convivendo com alunos que vieram a se tornar artistas de destaque no cenário mundial.
Cursou direito e trabalhou como consultora jurídica do Tribunal de Justiça do Paraná. Após a aposentadoria, dedicou-se à arte. Em uma temporada em Paris, estudando francês, buscou um atelier para pintar. Ali, naquele lugar, veio a descobrir uma técnica até então desconhecida por ela: a ilustração botânica.
Fez curso de ilustração em Curitiba, seguindo-se formação em Londres, na Society of Botanical Artists (United Kingdom), da qual se tornou membro efetivo. É também membro da Societé Française d’Illustration Botanique (Fran- ce). Inúmeros foram os cursos na Europa e as expedições à Amazônia. Com sua mentora Dulce Nascimento e com o biólogo Gilberto Castro, faz viagens anuais pelos rios Negro e Solimões, coletando plantas nativas entre igapós e igarapés da selva amazônica.
A formação ortodoxa de ilustradora científica foi sendo transformada ao encontrar o artista plástico Sérgio Fingermann. Nos dias pandêmicos, em casa, seguia as lives diárias de Sérgio. Foi invadida por um novo mundo. Ideias, conceitos, pesquisas de outros artistas, interlocuções, referências dos grandes mestres da arte.
O olhar de Ivone se expandiu em busca de um tempo dilatado, da captação da surpresa que prende o observador e tira o sentido de tudo que se enuncia.
Ivone entrou em um território que sua sensibilidade, aliada à formação acadêmica, está desvendando.
Sobre os trabalhos científicos e contemporâneos da artista: fone (41)99941-9977 (Ivone).

