Simone Bacelar estreia na literatura com o livro O idioma das sombras. Poeta e jornalista, a autora nasceu em Salvador, e é uma das responsáveis pela criação do projeto LêPoesia. Na apresentação do livro, o destaque feito de Jiro Taka: “[…] As danças dos temas, as sensações do balanço e os dedos do tempo vêm com ressonâncias de poetas aparentemente tão diversos (ou não) entre si como Florbela Espanca, Allen Ginsberg, Jorge de Lima, Ana Cristina Cesar, Sylvia Plath, Paulo Colina. Tudo isso nos faz pensar sobre a riqueza das leituras dos idiomas prévios e presentes da autora. E, assim como o corvo de Poe, n’ O idioma das sombras a poesia de Simone Bacelar espreita o limiar entre a realidade e os sonhos”.
O fio do perdão
Perdão é linha tensa,
fio que sustenta o peso
do que já foi desfeito,
do que a mão não repara.
Não é palavra mole,
eco de boca vazia,
é ferro que se dobra,
precisa.
O perdão não apaga,
não pinta o ontem de branco.
É pedra que, rachada,
se junta em outro ângulo.
Não é o sorriso fácil,
não é gesto distraído.
É muito do que éramos,
contrato do que é vivo.
É luta contra o espinho,
contra o eco do orgulho,
é construir em silêncio
uma ponte sobre os muros.
Perdão, no chão do homem
não nasce como capim.
É lavra de quem entende
que a dor precisa ter fim.
A autora: Simone Bacelar nasceu em Salvador. É poeta, jornalista e doutora em Ciências da Comunicação.
O livro: O idioma das sombras. São Paulo: Cobalto, 2025
