As páginas amareladas dos processos históricos da 1ª Vara Criminal de Paranaguá guardam registros que ultrapassam documentos policiais e infrações. São relatos que identificam a forma de vida em sociedade, fatos históricos da cidade e do Estado. Atualmente, mais de 7 mil desses registros estão sob o cuidado do Centro de Documentação Histórica do Litoral do Paraná (CDoc.H Litoral), que integra a Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

“O Centro de Documentação Histórica é uma instituição de preservação documental. Além das atividades de extensão, pesquisa e ensino, o nosso foco principal é a preservação da memória. Atualmente nós operamos com a preservação do fundo documental do Arquivo Público Municipal de Paranaguá e o fundo do Tribunal de Justiça do Paraná, mais especificamente processos da 1ª Vara Criminal da Comarca de Paranaguá”, explica a professora Liliane da Costa Freitag, coordenadora do CDoc.H Litoral.

Para garantir que os documentos possam ser acessados por pesquisadores, o Centro realiza um processo completo de higienização, recuperação, catalogação e armazenamento. Primeiro é feita uma triagem, que consiste num levantamento breve para verificar quais documentos têm condições de ser recuperados. A partir daí começa efetivamente o processo de recuperação. Todo o material é guardado em uma Sala de Depósito e Acervo, onde permanece em quarentena para iniciar o processo de desumidificação e secagem.

O passo seguinte é o “congelamento profundo”, como explica a professora: “o congelamento serve para eliminar os resquícios de fungos e de bactérias. A documentação é acondicionada em sacos plásticos, dentro de caixas, onde é retirado todo o ar, e aí é colocada num freezer. Lá ela permanece fechada, lacrada por, no mínimo, 72 horas”. Depois disso vem o trabalho de higienização, feito com a utilização de pincéis e pó de borracha, para retirar a sujeira das páginas. Na sequência, são retirados metais, como grampos, e barbantes. O próximo passo é o da recuperação, que envolve ações distintas como a planificação, para eliminar dobras, e a restauração. Por fim, os documentos passam pela descrição arquivística, etapa que envolve uma catalogação feita a partir dos princípios da Norma Brasileira de Descrição Arquivística (Nobrade).

Convênio – O trabalho desenvolvido em Paranaguá foi viabilizado por meio de um convênio assinado entre a instituição de ensino e o Tribunal de Justiça . “A comarca de Paranaguá é a mais antiga do Estado, e conta com um acervo documental extremamente importante. O objetivo dessa parceria com a Unespar foi garantir a qualidade de salvaguarda das informações, de tudo aquilo que pode ser extraído de um material que, para nós, tem um relevo não só técnico, mas também uma relevância cultural”, explica o desembargador José Américo Penteado de Carvalho, presidente da Comissão Permanente de Avaliação Documental (Cpad).

Além de realizar o correto armazenamento, o CDoc.H Litoral iniciou este ano um último processo no tratamento de toda a documentação histórica: a digitalização. Com a aquisição de um scaner de alta tecnologia, adequado para o registro de documentos históricos, o centro está fazendo todo o registro do material que, em breve, deve ser disponibilizado na internet.  “Nós estamos num período de construção do site, mas vamos disponibilizar esse material para que a sociedade possa acessar isso tudo que a gente vem desenvolvendo. É um trabalho demorado, criterioso, que leva gerações para construir”, afirma a professora Liliane.

Para o desembargador José Américo, é importante que magistrados e servidores conheçam e valorizem esse trabalho de conservação. “O magistrado ganha com isso, ele vai ganhar uma instituição que se fortalece, se conhece mais e melhor, e vai ganhar porque a sociedade estará ganhando também. A sociedade que ele julga, atua, na qual o servidor tem atividade. Uma sociedade que terá mais conhecimento e mais acesso a tudo aquilo que ele representa, que lhe permite saber como ela foi, como ela está sendo e, talvez, até como ela será no futuro”, destaca.

 

Acesse, aqui, matéria publicada no site do TJPR.