A final de 2026 foi a pior de todas as Copas. Os juízes, um desastre, apitaram para a Fifa, e não para o futebol. A bola atrapalha certas aves de rapina. Um dia será banida. Questão de tempo. A imprensa já criou uma expressão estúpida: jogar sem bola.

O VAR fez o seu papel: variou. E, além de interferir na dinâmica do jogo, tomou decisões erradas que mudaram resultados.

O Irã virou um pária na competição. A delegação foi exilada no México e obrigada a ir e vir a cada jogo, até a eliminação. Seus atletas foram submetidos a humilhações e rigores nos setores de imigração, sob o silêncio da Fifa.

Torcedores do Irã e do Haiti foram proibidos de ingressar nos EUA.

Torcedores do Senegal e da Costa do Marfim não conseguiram visto de turistas.

Jornalistas brasileiros fizeram um coro de mimimi por causa da desorganização. Se esqueceram do primeiro mandamento do bom repórter: se vira!

A Fifa deu o prêmio de melhor da Copa para Rodri. Messi ficou em segundo. Ridículo.

Inédito: a Fifa anulou o cartão vermelho do norte-americano Balogun, a pedido de Trump.

Conseguiram transformar o futebol em jogo de basquete: inventaram quatro tempos, com intervalos comerciais sob o pretexto de bicar um gole d’água.

Botaram um palco no gramado com as madonas e shakiras de sempre, como se os astros da bola não bastassem.

Foi uma Copa de protagonistas velhos: Messi, Cristiano Ronaldo, Modric, os goleiros Ochoa, Neuer, Gordon, Muslera e até Vozinha.

A seca de ídolos induziu Madonna a convocar dois nomes de quase tres décadas atrás pra pilotar seu uber: os Ronaldinhos Gaúcho e Fenômeno.

A promessa Lamine Yamal, louco por um garrinchismo, fracassou.

Algo vai mal quando Vozinha é atração (mais circense do que futebolística).

Estatísticos da Fifa apuraram recorde de chutes de fora da área.

Isso é bom sinal? Não. Triunfou a pressão alta de marcação. O tal 4-2-3-1(de Juan Manuel Lila, auxiliar de Guardiola). Ou seja: está cada vez mais difícil penetrar tocando bola em qualquer defesa.

Houve renovação de valores e talentos? Não. Se houvesse, a revelação da Copa não seria um zagueiro, um destruidor de jogadas, como o excelente espanhol Pau Cubarsi.

A Fifa fifou.

E o Brasil?

Pergunta pro Casemiro.

 


Marcos Barreto é escritor, professor, jornista, ex-editor da revista Placar.