Eram coisas estranhas. Palavras brotadas do desespero, as buzinas dos carros tocando sem parar, os bêbados na rua e seus gritos medonhos, pungentes.
O ar parece que sempre foi pesado, afinal, e as cores restantes são poucas e apagadas. Muito se fala em medo, mas a perspectiva da liberdade renova forças (qual o tamanho da liberdade?).
Tudo faz parte do passado: o tempo se encarregou de embaralhar as lentes da lembrança.
Ficaram os gestos.
Mário Montanha Teixeira Filho é consultor jurídico aposentado.
