Pequenas coisas não passam disso: pequenas coisas. Bobagens sentimentais, como reformar a casa, atualizar o registro civil ou comprar flores no supermercado, poderiam ser eliminadas da vida. Não fazem nenhuma diferença. Sua aparente leveza é falsa, porque rasas, porque impregnadas de uma lógica simplista que vê felicidade em signos imediatos – um quarto novo, um papel timbrado, um enfeite morto.

Nada disso importa. Importam os corpos que se tocam, suavemente ou trêmulos de pavor, e de algum modo se completam. Importa o olhar eloquente, que tudo diz e compreende, que conforta, anuncia decretos perpétuos e também protesta. Há paixão no silêncio e nas palavras. Há paixão nos gestos. E paixão é algo que machuca sem querer, profunda, intensamente.

Ainda assim, com os corações maltratados de quem sonha, terá valido a pena, eis que o que se dá é a verdade, o amor em estado bruto.

 

Mário Montanha Teixeira Filho é consultor jurídico aposentado.