Terminei de escrever um poema. Onze versos distribuídos aleatoriamente, sem métrica, sem método, palavras que saíram de mim para invadir uma folha em branco, primeiro, e uma tela depois. Meus olhos contemplaram o borrão, tinta derramada sobre a mesa, letras organizadas pela máquina moderna, durante algum tempo, o suficiente para lapidar uma ideia que não mudará a vida dos humilhados e ofendidos que me movem.
Sem pressa, acertei pequenos detalhes, atento ao som das palavras, e fiz as mudanças que antecederam o nascimento planejado. Trazido ao mundo, o conjunto de onze versos tímidos se perdeu na sombra. Ninguém viu, ninguém verá. O poema existe para ser só. Ou só ser. Ou não ser. Ou para nada.
Meu pai disse: “ontem reli Fernando Pessoa; por que tentar fazer poesia depois de Fernando Pessoa?”.
“Por que meus versos, ainda?” – acrescento.
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Mário Montanha Teixeira Filho é consultor jurídico aposentado.
