§ A nova lei que cria o tal profissional multimídia não amplia o jornalismo, dilui. E diluir o jornalismo é diluir a democracia. Não se trata de nostalgia de diploma pendurado na parede, mas de reconhecer que informar exige método, ética e preparo. Não basta saber apertar “gravar” ou escrever com fluidez. É preciso saber o que perguntar, por que perguntar, e (principalmente) a quem interessa a resposta.
A convergência tecnológica não justifica a convergência da ignorância. O jornalismo exige formação porque lida com o que é de todos: a verdade dos fatos. Tirar o diploma da equação é abrir espaço para a opinião mal embalada se passar por reportagem.
A nova legislação reduz custos e salários. E também reduz a confiança do público. Quem perde não é só o jornalista; é o leitor, o ouvinte, o cidadão.
Sem jornalismo de verdade, o que sobra é ruído. Defender a regulamentação da profissão não é proteger uma categoria, é proteger o direito coletivo de saber com clareza o que está acontecendo.
Carlos Castelo é compositor, frasista e sócio fundador do grupo de humor Língua de Trapo.
