História paranaense. Trabalhador e profissional de primeira categoria, foi atropelado pela pandemia e ficou sem emprego. Os “amigos” do passado, da turma do andar de cima de Curitiba, o esqueceram facilmente. Foi parar onde? Uber, a que chama de “Senzala”. Até que um dia recebeu recado que o entusiasmou: convite para trabalhar, na sua área, numa repartição pública. Ralou para conseguir a papelada para oficializar o emprego – até conta salário foi obrigado a abrir.
Isso foi em maio passado. A partir daí aconteceu o que ele, precisando do emprego, não imaginava: foi colocado no banho maria do empurra-empurra para materializar a vaga que parecia aberta por conta do convite e da burocracia. Se submeteu a longos chás de cadeiras de alguns boçais com poderzinho de nada. Levou dribles de empoderados de meia-pataca, do tipo que aparece na foto do chefe pendurado nos países baixos e sempre com aquele sorriso do tipo “você sempre tem razão, chefe”. Horas e horas perdidas, até que chegou à situação resumida na necessidade de receber um não claro, do tipo não deu certo, não tem vaga, esqueça o prometido. Seria melhor do que o meio ano de angústia.
